Nos presságios do Tempo, haverá, houve e há uma instância nas maquinarias do Ciclo onde nada que foi será novamente. Tudo que não foi, não mais terá oportunidade de ser expresso. E tudo que é, deixará de ser. E haverá somente almas mortas vagando pelo Nada Absoluto.
Quando Deus abdicar de seu sono quase-eterno, se despojar de sua Natureza em regozijo descanso, Ele irá julgar a Criação em toda a sua forma e não-forma. Haverá apenas Luz, a mesma da Criação. Mas a Luz que Ilumina é a mesma que cega, portanto, da Luz, virá a Escuridão Eterna.
Quando Ciência esmagar Religião, de maneira cruel e impiedosa, quando tecnologia atual prevalecer sobre tradição ancestral, terá início a Era da Iconoclastia, por ofuscar a razão da Luz do Espírito, e enaltecer a presença criativa da matéria mais bruta que possa haver no Homem. Tecnocracia como meio de transgredir a natureza.
Quando a Terra for lentamente engolfada em Trevas pelos atos vis de seus supostos mantenedores, os tais seres teriantrópicos, aqueles cuja real Natureza ainda não foi desgarrada de suas raízes animais e não se decidiram pois em se tornar algo mais, algo além de sua pureza essencial e primitiva, haverá então nada essencial, a pureza de forma do Universo, manifestação inicial e final do Ciclo.
E quando o amanhã for hoje, restarão apenas nossas abençoadas células congeladas, adormecidas, esquecidas, obumbradas, porém não mortas de todo. Apenas esperando. Esperando uma salvação final, um ultimato cósmico que defina a condição final e propósito original para a existência do Homem. A maior dádiva que já falhou na história do Cosmos. Um espetáculo para sempre (?) ser lembrado por 'aquilo' que vaga nos umbrais da (in)existência absoluta.
Quando não haver mais o 'Eu', nem sequer a prole dele, seja coletivo ou individual, consciente ou não-consciente, restarão aquelas cuja finalidade ainda não foi elucidada: nossas abençoadas células congeladas. O talvez e a esperança: os únicos bons frutos gerados e colhidos por aquilo que diziam os Livros Velhos ser a criatura que mais se assemelha à real face do Universo.
domingo, 23 de setembro de 2012
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Para aquela que cura
Há duas décadas atrás, surgiu no mundo, uma semente incomum. Ela não se parecia muito com as outras de sua espécie. Apesar de sua aparente e singela beleza, facilmente notada por todos, ela tinha algo em sua natureza que era misterioso, oculto, quase invisível aos olhos. De certa forma, até afastava alguns, que a consideravam seca demais e sem-graça, apenas mais uma semente de dente-de-leão por aí no mundo.
Porém, aquela sementinha tinha algo de terno, confortável e acolhedor em seu interior. Mas só algumas pessoas poderiam ver isso. Além de suas asas tão delicadas e macias, se escondia algo ainda mais aconchegante, capaz de entorpecer qualquer um com sua maciez e fragrância, tão confortadoras. Entretanto, o coração da semente era de difícil acesso.
Era preciso muita paciência, dedicação e cuidado, tanto para agarrá-la, quanto para ver e experimentar sua beleza interior. Afinal, além de seu tamanho diminuto, o vento era seu lugar, portanto não era difícil que alguém a capturasse para logo em seguida perdê-la por entre os dedos.
Mesmo a semente sendo arredia, livre e tão leve, sendo arrastada pelas correntes de ar, alguma hora ela teria que cair na terra. Mas ela só se sentiria segura e plena em se desenvolver ali, se fosse uma terra pura, terna, confortável e acolhedora, como ela mesmo é por dentro. Espero que ela possa encontrar esse lugar especial, e ali, se desenvolver e crescer, e se tornar uma planta bem bonita, forte e resistente, com as raízes plantadas bem fundo na terra, que a alimenta, sustenta e protege.
Enquanto essa bendita terra não aparece, ela continuará sendo levada pelo vento, que, por ora, é o lugar mais seguro e confortável para que ela viva...
Porém, aquela sementinha tinha algo de terno, confortável e acolhedor em seu interior. Mas só algumas pessoas poderiam ver isso. Além de suas asas tão delicadas e macias, se escondia algo ainda mais aconchegante, capaz de entorpecer qualquer um com sua maciez e fragrância, tão confortadoras. Entretanto, o coração da semente era de difícil acesso.
Era preciso muita paciência, dedicação e cuidado, tanto para agarrá-la, quanto para ver e experimentar sua beleza interior. Afinal, além de seu tamanho diminuto, o vento era seu lugar, portanto não era difícil que alguém a capturasse para logo em seguida perdê-la por entre os dedos.
Mesmo a semente sendo arredia, livre e tão leve, sendo arrastada pelas correntes de ar, alguma hora ela teria que cair na terra. Mas ela só se sentiria segura e plena em se desenvolver ali, se fosse uma terra pura, terna, confortável e acolhedora, como ela mesmo é por dentro. Espero que ela possa encontrar esse lugar especial, e ali, se desenvolver e crescer, e se tornar uma planta bem bonita, forte e resistente, com as raízes plantadas bem fundo na terra, que a alimenta, sustenta e protege.
Enquanto essa bendita terra não aparece, ela continuará sendo levada pelo vento, que, por ora, é o lugar mais seguro e confortável para que ela viva...
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