quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Para aquela que cura

Há duas décadas atrás, surgiu no mundo, uma semente incomum. Ela não se parecia muito com as outras de sua espécie. Apesar de sua aparente e singela beleza, facilmente notada por todos, ela tinha algo em sua natureza que era misterioso, oculto, quase invisível aos olhos. De certa forma, até afastava alguns, que a consideravam seca demais e sem-graça, apenas mais uma semente de dente-de-leão por aí no mundo.

Porém, aquela sementinha tinha algo de terno, confortável e acolhedor em seu interior. Mas só algumas pessoas poderiam ver isso. Além de suas asas tão delicadas e macias, se escondia algo ainda mais aconchegante, capaz de entorpecer qualquer um com sua maciez e fragrância, tão confortadoras. Entretanto, o coração da semente era de difícil acesso.

Era preciso muita paciência, dedicação e cuidado, tanto para agarrá-la, quanto para ver e experimentar sua beleza interior. Afinal, além de seu tamanho diminuto, o vento era seu lugar, portanto não era difícil que alguém a capturasse para logo em seguida perdê-la por entre os dedos.

Mesmo a semente sendo arredia, livre e tão leve, sendo arrastada pelas correntes de ar, alguma hora ela teria que cair na terra. Mas ela só se sentiria segura e plena em se desenvolver ali, se fosse uma terra pura, terna, confortável e acolhedora, como ela mesmo é por dentro. Espero que ela possa encontrar esse lugar especial, e ali, se desenvolver e crescer, e se tornar uma planta bem bonita, forte e resistente, com as raízes plantadas bem fundo na terra, que a alimenta, sustenta e protege.

Enquanto essa bendita terra não aparece, ela continuará sendo levada pelo vento, que, por ora, é o lugar mais seguro e confortável para que ela viva...

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