Há duas décadas atrás, surgiu no mundo, uma semente incomum. Ela não se parecia muito com as outras de sua espécie. Apesar de sua aparente e singela beleza, facilmente notada por todos, ela tinha algo em sua natureza que era misterioso, oculto, quase invisível aos olhos. De certa forma, até afastava alguns, que a consideravam seca demais e sem-graça, apenas mais uma semente de dente-de-leão por aí no mundo.
Porém, aquela sementinha tinha algo de terno, confortável e acolhedor em seu interior. Mas só algumas pessoas poderiam ver isso. Além de suas asas tão delicadas e macias, se escondia algo ainda mais aconchegante, capaz de entorpecer qualquer um com sua maciez e fragrância, tão confortadoras. Entretanto, o coração da semente era de difícil acesso.
Era preciso muita paciência, dedicação e cuidado, tanto para agarrá-la, quanto para ver e experimentar sua beleza interior. Afinal, além de seu tamanho diminuto, o vento era seu lugar, portanto não era difícil que alguém a capturasse para logo em seguida perdê-la por entre os dedos.
Mesmo a semente sendo arredia, livre e tão leve, sendo arrastada pelas correntes de ar, alguma hora ela teria que cair na terra. Mas ela só se sentiria segura e plena em se desenvolver ali, se fosse uma terra pura, terna, confortável e acolhedora, como ela mesmo é por dentro. Espero que ela possa encontrar esse lugar especial, e ali, se desenvolver e crescer, e se tornar uma planta bem bonita, forte e resistente, com as raízes plantadas bem fundo na terra, que a alimenta, sustenta e protege.
Enquanto essa bendita terra não aparece, ela continuará sendo levada pelo vento, que, por ora, é o lugar mais seguro e confortável para que ela viva...
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