sábado, 20 de outubro de 2012

Imago Mortis





Imagem da sorte
veio da vida
vai para longe

vem do topo da cabeça,
derrama pelos olhos,
escorre pela boca

em seu olhar,
nada mais senão
brancor reluzente.

Um dia tem que ir,
preparar para partir,
deixar de ser, para não sentir

dos corvos, dois já se foram
o do pensamento, se perdeu ao longe
o da memória, foi parar ainda mais distante

perdidos para sempre,
sem ter como para casa retornar,
batem suas asas no escuro, em vã fidelidade

as alegrias de outrora,
se transformam adiante
em escárnios histéricos

entristecido fica
aquele cuja vida vai...
vai seguindo o curso ante o Hades.

Da água do rio Lete,
bebe-se para esquecer
o que já passou em vida

Mas... Mnemosine, por favor,
não deixe que os corvos de meus domínios
se percam pela minha Via Dolorosa

que possam me acompanhar sempre,
em meu resguardo,
seguros do percurso inevitável.

Doze são os epítomes
da acertada porém rejeitada labuta,
da imagem da morte.

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