Desde que eu tinha uns 12 ou 13 anos de idade, comecei a me intrigar e me interessar pela questão existencialista mais profunda, simultaneamente racional e irracional da espécie humana, que data de dezenas de milênios: a crença em Deus, ou algum tipo de força cósmica que permeia tudo e todos. Possivelmente por, durante essa fase de minha vida, ter passado por algumas experiências pouco elucidadas pela ciência tradicional, e portanto sendo melhor enquadradas dentro da metafísica, enveredei pelo estudo sistemático e abrangente das religiões (embora seja raro praticá-las com assiduidade). Quais delas? Na verdade, todas. Inclusive as que não deveriam ser taxadas de dogmas ou sistemas religiosos, e tendo mais interesse e afinidade pelas tradições orientais. Desde então, procurei abrir sempre minha mente à respeito de tal assunto. Tenho respeito e admiração por todas as tradições, até mesmo leio sobre ceticismo e ateísmo, que aliás, considero uma religião, por que caso você seja ateu, saiba de uma coisa: para 'não crer', é preciso ter tanta Fé quanto um crente. E além disso, pode ser um movimento tão extremista e alienizador quanto qualquer religião (vide Richard Dawkins. Quem me disser que ele não é extremista e fanático, me atire uma pedra!). Um dos grandes expoentes da corrente cética foi Carl Sagan, que com certeza foi uma grande pessoa, que contribuiu muito para a humanidade. Gostava dele. Principalmente por que ele era cosmologista, assunto que sou muuuito leigo, mas tenho grande admiração.
Antes dessa idade, eu realmente não ligava para essas questões. Nem um pouco mesmo. Não sabia nem rezar. Quando minha irmã foi catequizada, eu não quis. Fiz pirraça. Eu era uma criança ateísta em potencial. E não me envergonho disso. Mas como disse anteriormente, depois de algumas experiências muito pessoais, ocorreu um "click" interno, e mudei. O que acho engraçado é que, algumas pessoas que se dizem céticas ou ateístas, em situações extremas, subitamente mudam e começam a crer em alguma coisa. Depois que a experiência passa, eles tornam a se intitularem como tal: céticos. Foi apenas um susto. Não estou querendo atacar ninguém, pode ser que seja um mecanismo de defesa genético e/ou psicológico em situações de perigo imediato. Temos que nos agarrar em alguma coisa, mesmo que seja invisível, em situações de alto risco de vida. Daí o título desse post.
Acredito que passamos por três fases bem definidas em nossas vidas. E essas fases estão até de uma certa maneira descritas no célebre enigma da Esfinge, do qual Édipo conseguiu decifrar (quem lembra???). Quando infantes e jovens, temos nossos corpos físicos bem definidos, resistentes e desenvolvidos. Precisamos dele mais do qualquer outra coisa. Isso remete à tempos remotos da existência humana, quando eram grandes os riscos físicos.
Quando adultos, nossa mente é mais desenvolvida, estável e forte. Damos um certo descanso em nosso corpo, porque não somos mais tão jovens, e precisamos da nossa mente bem mais que o corpo. Precisamos estudar, ler, trabalhar. Por isso a mente é mais desenvolvida nessa etapa da vida.
Na terceira fase (a velhice), estamos desgastados física e mentalmente. Osteoporose, artrite, Alzheimer... o que nos resta de mais valioso é nosso espírito. E não quero dizer espírito como algo paranormal, ou metafísico. Quero dizer vontade, ou intenção. Vontade de continuar vivendo e lutando, enquanto o abraço da Morte está cada vez mais próximo. É nessa fase que muitas pessoas começam a desenvolver sua espiritualidade. Interessante.
Às vezes invejo os agnósticos. Eles são os únicos com a ingênua e inocente capacidade de passarem desapercebidos pela infindável batalha intelectualóide e mesquinha entre crentes e céticos. Eles simplesmente olham para os dois lados e dizem: "vocês nunca irão provar nada, nem pela Fé nem pela Ciência!".
"Não existem ateus em tocas de raposa, eles dizem, e eu fui um ateu em toca de raposa por muito tempo. Mas após passar por uma crise da meia-idade e tendo várias coisas mudando bem depressa, me fez pensar sobre minha mortalidade. E quando você começa a pensar sobre a morte, você começa a pensar sobre o que existe além dela. E então você espera que exista um Deus. Para mim, é um pensamaneto aterrorizante pensar em ir a lugar algum. Eu também não posso acreditar que pessoas como Stalin e Hitler irão para o mesmo lugar que Mãe Teresa."
- Peter Steele
Com toda essa discussão que fiz, sinceramente, quero dedicá-la semi-exclusivamente para uma pessoa: Eu. Portanto, não tive intenção de atingir nenhuma pessoa, seja ela crente, ateísta ou agnóstica. Pessoalmente, acredito, mas como disse, tenho humildade e prazer em discutir e ler sobre todos os assuntos relacionados, sob diferentes pontos de vista.
E você, como se enquadraria (se é que consegue)?
Assinar:
Postar comentários (Atom)
mas o lance é a física do petrefiolismo.
ResponderExcluirrs
ResponderExcluirRoubert escreve um livro como o fanatismo religioso seja de qualquer cultura e como esse fanatismo e um male para a humanidade tipo sou catolico crismado batizado tudo que tem direito na religiao mais nao pratico a muito tempo eu acho que fara ums 17 anos que nao rezo e nem entro em uma igreja mais isso depende de cada pessoa eu me sinto bem assim sendo catolico nao praticante ate pq assim nao atrapalha vamos dizer a minha busca da verdades sem o carater religioso sim pelo carater cientifico eu tambem gosto da tradiçao oriental que e uma tradiçao bem interessante abraços ate um dia qualquer
ResponderExcluirEssa questão é muito complexa. Muito boa de ser discutida por sinal...
ResponderExcluirAcredito que tudo não passa de energia. Uma energia que vai se modificando. Que se transforma para nos dar a vida e depois se transforma novamente quando morremos. Nós vivemos num grande organismo. Penso que o planeta está vivo e utiliza nossa energia assim como ja utilizamos a dele também. O grande problema é que a humanidade se tornou um câncer (O planeta irá morrer desse câncer ou irá se curar ao eliminá-lo?). Pensar que não há nada após a morte as vezes me causa arrepios por isso eu procuro não pensar muito nisso. Vivo a vida da melhor forma possível e se no final (ou não) de tudo realmente existir uma força maior para me julgar, saberá que eu fiz o meu melhor. Assim eu espero...
é isso aí, garoto! Tudo não passa das leis da Termodinâmica em ação!
ResponderExcluir