quarta-feira, 22 de maio de 2013

Por que tu te escondes nas nuvens?



Por que tu te escondes nas nuvens, justo quando mais necessitam de ti? / Para se desfazer das personas, leva-se tempo. / A maquiagem do palhaço não se dilui sozinha. / Através do éter, e do céu, tu observas, calado, mas não desatento. / Tudo acontece, tudo passa, sem ser desapercebido por teus olhos mágicos e transparentes. / Não falas, não sussurras, mas comunicas. Tu, que és o grande observador dos mundos, sem nunca penetrá-los de fato. Onipresença não necessita de alteridade. / De todas que já conheci, és a de mais difícil acesso. / Não se desfaz uma montanha em mil anos, mas se destrói um universo inteiro, ao se fechar os olhos, em um instante. / A sincronicidade ocorre a cada instante, basta estares atento, como sempre estás. Uma uma imagem mental, uma palavra, uma ação concreta, e mundos são sacudidos, no entanto, continuas aí, a vagar invisível, es(x)tático e delirante, dançando nas nuvens, perdido no céu. Ninguém ouve seu grito, nem vê sua face emoldurada numa alcova celestial, nem quando os raios de Sol perpassam por entre as nuvens. Se continuares te ocultando, saberás teu destino próximo. Então, por que continuas te escondendo?

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Tudo

Quando falo, posso ser o que eu quiser. Quando escrevo, sou o que eu quiser.

sábado, 20 de outubro de 2012

Imago Mortis





Imagem da sorte
veio da vida
vai para longe

vem do topo da cabeça,
derrama pelos olhos,
escorre pela boca

em seu olhar,
nada mais senão
brancor reluzente.

Um dia tem que ir,
preparar para partir,
deixar de ser, para não sentir

dos corvos, dois já se foram
o do pensamento, se perdeu ao longe
o da memória, foi parar ainda mais distante

perdidos para sempre,
sem ter como para casa retornar,
batem suas asas no escuro, em vã fidelidade

as alegrias de outrora,
se transformam adiante
em escárnios histéricos

entristecido fica
aquele cuja vida vai...
vai seguindo o curso ante o Hades.

Da água do rio Lete,
bebe-se para esquecer
o que já passou em vida

Mas... Mnemosine, por favor,
não deixe que os corvos de meus domínios
se percam pela minha Via Dolorosa

que possam me acompanhar sempre,
em meu resguardo,
seguros do percurso inevitável.

Doze são os epítomes
da acertada porém rejeitada labuta,
da imagem da morte.

domingo, 23 de setembro de 2012

Nossas abençoadas células congeladas

Nos presságios do Tempo, haverá, houve e há uma instância nas maquinarias do Ciclo onde nada que foi será novamente. Tudo que não foi, não mais terá oportunidade de ser expresso. E tudo que é, deixará de ser. E haverá somente almas mortas vagando pelo Nada Absoluto.

Quando Deus abdicar de seu sono quase-eterno, se despojar de sua Natureza em regozijo descanso, Ele irá julgar a Criação em toda a sua forma e não-forma. Haverá apenas Luz, a mesma da Criação. Mas a Luz que Ilumina é a mesma que cega, portanto, da Luz, virá a Escuridão Eterna.

Quando Ciência esmagar Religião, de maneira cruel e impiedosa, quando tecnologia atual prevalecer sobre tradição ancestral, terá início a Era da Iconoclastia, por ofuscar a razão da Luz do Espírito, e enaltecer a presença criativa da matéria mais bruta que possa haver no Homem. Tecnocracia como meio de transgredir a natureza.

Quando a Terra for lentamente engolfada em Trevas pelos atos vis de seus supostos mantenedores, os tais seres teriantrópicos, aqueles cuja real Natureza ainda não foi desgarrada de suas raízes animais e não se decidiram pois em se tornar algo mais, algo além de sua pureza essencial e primitiva, haverá então nada essencial, a pureza de forma do Universo, manifestação inicial e final do Ciclo.

E quando o amanhã for hoje, restarão apenas nossas abençoadas células congeladas, adormecidas, esquecidas, obumbradas, porém não mortas de todo. Apenas esperando. Esperando uma salvação final, um ultimato cósmico que defina a condição final e propósito original para a existência do Homem. A maior dádiva que já falhou na história do Cosmos. Um espetáculo para sempre (?) ser lembrado por 'aquilo' que vaga nos umbrais da (in)existência absoluta.

Quando não haver mais o 'Eu', nem sequer a prole dele, seja coletivo ou individual, consciente ou não-consciente, restarão aquelas cuja finalidade ainda não foi elucidada: nossas abençoadas células congeladas. O talvez e a esperança: os únicos bons frutos gerados e colhidos por aquilo que diziam os Livros Velhos ser a criatura que mais se assemelha à real face do Universo.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Para aquela que cura

Há duas décadas atrás, surgiu no mundo, uma semente incomum. Ela não se parecia muito com as outras de sua espécie. Apesar de sua aparente e singela beleza, facilmente notada por todos, ela tinha algo em sua natureza que era misterioso, oculto, quase invisível aos olhos. De certa forma, até afastava alguns, que a consideravam seca demais e sem-graça, apenas mais uma semente de dente-de-leão por aí no mundo.

Porém, aquela sementinha tinha algo de terno, confortável e acolhedor em seu interior. Mas só algumas pessoas poderiam ver isso. Além de suas asas tão delicadas e macias, se escondia algo ainda mais aconchegante, capaz de entorpecer qualquer um com sua maciez e fragrância, tão confortadoras. Entretanto, o coração da semente era de difícil acesso.

Era preciso muita paciência, dedicação e cuidado, tanto para agarrá-la, quanto para ver e experimentar sua beleza interior. Afinal, além de seu tamanho diminuto, o vento era seu lugar, portanto não era difícil que alguém a capturasse para logo em seguida perdê-la por entre os dedos.

Mesmo a semente sendo arredia, livre e tão leve, sendo arrastada pelas correntes de ar, alguma hora ela teria que cair na terra. Mas ela só se sentiria segura e plena em se desenvolver ali, se fosse uma terra pura, terna, confortável e acolhedora, como ela mesmo é por dentro. Espero que ela possa encontrar esse lugar especial, e ali, se desenvolver e crescer, e se tornar uma planta bem bonita, forte e resistente, com as raízes plantadas bem fundo na terra, que a alimenta, sustenta e protege.

Enquanto essa bendita terra não aparece, ela continuará sendo levada pelo vento, que, por ora, é o lugar mais seguro e confortável para que ela viva...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Ouroboros está quebrado

Ao assistir ao "O Sétimo Selo", tive uma epifania: todo o alvoroço perpetrado por idéias escatológicas, de "fim do mundo", ou Apocalipse, não passa de uma forma de egoísmo massificado travestido de alienação generalizada perante ao fato de que o indivíduo, inexoravelmente, morrerá num dado momento, afinal, quando morremos, de certa forma o mundo morre conosco. O medo da morte: a maior e mais concreta obra de uma vida solipsista e individual.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

As estatísticas não mentem, mas você sim

Está estatisticamente comprovado que frases que começam com "estatisticamente comprovado" deixam as pessoas impacientes e com olhar de "vamos logo com isso".

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Epistemológico

A Realidade é uma senhora tímida e reclusa com uma foice nas mãos. E realidade é um palhaço ilusionista adornado com véus semi-transparentes.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Cripto-cancer

Com suas patas pontudas, andando de lado vão
remoendo os grãos de areia inconscientemente,
sem se preocupar em revolver o ambiente
quase sempre impelidos a buscar o inacessível,
para continuarem se alimentando do que existe
de mais nobre no Homem.

Carapaças duras, forjadas durante uma vida,
feitas do mais forte aço mental.
Eles esperam o momento certo para avançar em nossas defesas
no momento em que os escudos estão abaixados.
Os caranguejos-escondidos nas cidades:
duros por fora, moles por dentro.

sábado, 7 de maio de 2011

Age of Silence - I no longer know if I am mad



I no longer know if I am mad
or if I'm feigning it to cover my own mediocrity
I sometimes feel like a fell wizened necromancer
labouring at his pleasure
performing his liturgy as one long consumed by ashes

Factory fumes nourishing the dreams of the cosmopolite
Affectionate longing for white coats, auditoriums and blackboard dust
Spiraling walkways, webs of concrete, bricks and mirrored glass
I no longer know if I have experienced passion/love/despair/hate
Was it only socially induced behaviour?
Like long forgotten twisted poetry
gleaned from mouldy parchment

Pain is always more real than bliss
It's in greater supply
It's the warm familiar womb in which your mind can hide
As your open doors and portals
Walk the paved paths to offerings
Foiled predetermined neurological patterns
Like paper boats bound for the drains
You speak the incantations written on grey mortal walls
syllables tasting like blood in your mouth
You know absolution
You know mortallity

Reality slowly peeled layer by layer
outwards to the fringe where upon the altar of forgotten deities
the combustion of the self still vibrates
Dark flowers thrusting their thorns up
reaching where manifestations of the skies labour to fill the vacuum
You seek to explain the universe with numbers
Itch to fill in the final answer underlined twice
Like an infant you step into the first light at dawn
It's bright and bitter and sharp

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A Liberdade só existe para aqueles que ainda não se deram conta de que ela é inalcançável.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Homenagem binocular

Olhos. Olhos humanos femininos. Encantam e mesmerizam melhor que o mais carismático dos seres.
Soturnos, profundos, etéreos... nunca desprezo o que ousam dizer sem falar, tocar sem encostar, retirar sem gastar, estas janelas da alma da qual jorra divindade terrena aos meus vívidos sentidos, atraindo, hipnotizando, resgatando.
E por favor, não use óculos de sol perto de mim.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Palavreado

Palavras. Palavras inúteis que insistem em proferir. Não têm serventia senão confundir, dilacerar e principalmente, reduzir drasticamente o sentimento essencial de todas as coisas. As palavras têm poder, sim! Mas ainda mais digno de tal sorte é o coração e o que nele está contido.
Muitas vezes o silêncio fala mais que as palavras. E é mais intenso que um milhão delas.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Oh, melancolia!
Quando uma vai, outra vem
Quando tudo fica branco, tudo fica cinza
Se um ganha, outro tem de perder
Por que tem que ser assim? Será a vontade do Universo, cheio de compensações cósmicas e dualidades?

Tanto faz. O que posso fazer de melhor é aceitar e continuar sendo arrastado pela maré do Tempo. Não é tão ruim assim. Preciso esperar, quando 'dois' virar 'um'.

domingo, 14 de novembro de 2010

Processos

Criar é uma experiência fantástica. Melhor ainda é Destruir e (re)Criar novamente.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

É pato,lógico!

"Antes ser um sociopata que ser um pato social (quack!)"

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

o Certo é o Errado que a maioria compra.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Vivendo sem expectativas

Quanto mais se espera,
menos se esmera

Quanto menos se aquieta,
mais se depleta

Os loucos é que têm sorte! Os legítimos sábios do viver, com a plena convicção de que ser sem expectativas é maior exemplo de ausência de vaidade.

Ai, quem me dera ser mais um louco.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Excerto sobre música

Música é um pequeno pacote de drogas audiovisuais, capaz de transpor barreiras entre os sentidos (todos eles), de efeito terapêutico, relaxante, estimulante, transcendente, psicossomático, capaz de tornar o tempo atemporal, de provocar sensações e estímulos alucinógenos, fazendo o usuário se sentir deslocado no tempo e espaço, sem sair do lugar. E, claro, como qualquer droga, pode causar dependência.

(Escutando: Mortiis - Everyone Leaves)

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Liberdade finda

Nascemos a partir de uma cagada da Natureza proveniente de uma cagada cósmica maior ainda. Um sonho dentro de um sonho. Diferentes nuances da realidade, que se cruzam e se manifestam em Vida. Essa prisão efêmera, acidental, cíclica, chamada de Vida. A Morte é senão a maior das liberdades, entretanto, não pretendo (não quero) me libertar tão cedo.